domingo, 16 de setembro de 2012

regras de pontuação

"ponto final significa conclusão."

eu sou péssima com finais. isso é um transtorno de personalidade e na vida. me faz arrastar bagagem por anos a fio. lota a vida de excessos e desnecessários. machuca.

exemplos: meu final fantasy X está parado no último chefão há uns 3 ou 4 anos pq eu simplesmente fico bolada com a ideia de terminar o jogo (e agora que meu ps3 foi pro saco, as chances de terminar o jogo estão na escala do -1). outro: estou há dois meses nas 100 últimas páginas do primeiro volume de game of thrones pq num quero ver quem vai morrer antes do livro acabar. e por aí vai.

sempre achei que a vida é exatamente como as pessoas: carregada de potenciais. por isso, sigo a política dos "three strikes". como a califórnia, acho que todo mundo merece pelo menos duas chances de acertar, seja o que for. pisar no tomate uma vez pode ser falta de conhecimento do terreno. acho justo dar uma oportunidade das pessoas estudarem a geografia das situações. a segunda pisada de bola normalmente é mais difícil de justificar, mas eu sempre parto do princípio que, em essencia, as pessoas estão tentando acertar e de vez em quando, por falta de costume de pensar em alguma coisa além de seus umbigos, escorregam. tudo bem, a gente ajusta. é sempre na terceira merda que eu me pego pensando que a coisa num tem forma mesmo de dar certo.

o terceiro strike é o mais complicado de lidar. a minha personalidade foi concebida para comportar strikes infinitos. eu acredito na capacidade de mudança, de crescimento, de simancol, de abstração, de comprometimento, de tudo de todo mundo. mas a gente tem que ter um parâmetro de finito na vida.

como tudo na vida, essa postura tem o seus prós e contras. há um risco estatístico envolvido em se relacionar com alguém que já aprontou com vc em algum nível. mas a minha experiência de anos praticando essa vertente do direito interpessoal me provou que normalmente ocorre o contrário: no geral, valorizar alguém/algo a ponto de relevar uma besteira/catástrofe aumenta as chances de dar tudo certo no segundo tempo. foram pouquíssimas as vezes em que eu me machuquei duas vezes com a mesma coisa.

eu gosto desse modus operandi. eu não sei não sentir falta de alguma coisa só porque num cheguei tão longe a ponto de vê-la concretizada. eu sinto falta do que eu não vivi e poderia ter vivido, não vi e poderia ter visto, não fiz e poderia ter feito. se a gente só se conforma com tudo, aceita muito rápido, num bota empenho ou exige empenho dos outros, todos esses potenciais se diliuem e se perdem.

tem quem diga que o meu desconforto com finais é birra de menina mimada. tem que diga que é coisa de quem acha que a vida é um conto de fadas. eu tenho pra mim que é coisa de quem acha que a gente pode fazer da vida o que quiser e normalmente num faz por alguma estupidez que envolve medo, orgulho, raiva, falta de consciência, excesso de confiança, coisas que eu sempre desconsidero na hora de tomar decisões.

dizem que esperança é a última que morre. acho que seria mais correto dizer que a esperança é a última que matam. eu defendo a minha com unhas e dentes, sempre. e nunca deixo que ela morra: eu simplesmente a troco de lugar.

o que eu ganho? recomeços infinitos. cheating codes da vida. posts que começam com finais e terminam em novas histórias. a vida que eu quero ter está em algum lugar no meio disso aí.



domingo, 2 de setembro de 2012

update

o atrom se foi. tivemos que intervir pro coitadinho num sofrer mais. eu estava viajando quando aconteceu. como quando minha avó paterna finalmente bateu as botas enquanto eu viajava dois anos atrás. não vou colocar o blog de luto novamente, mas já fica o aviso: se eu estiver para viajar pro exterior, faça um favor à sua familia e compre um seguro de vida.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

...



o atrom tá com câncer. com metástase. nada a fazer, parece. cuidar da qualidade de vida até ele ir por conta própria ou até ficar mal a ponto de ter que precisar de intervenção humana.


o atrom foi meu primeiro cachorro. quando minha gata morreu, fiquei tão mal que fui morar na minha tia, pq num conseguia dormir no meu quarto, na minha cama, onde ela morreu. esse diabo desse cachorro dormia comigo toda noite. enorme, quase 20 quilos. 


eu ensinei pra ele uma porção de manias, tipo dormir com a cabeça apoiada em travesseiro. até hoje, quando eu durmo lá, ele dorme comigo ainda. um amor.


hoje eu tenho 3 cachorros e tenho certeza que é por causa dele. não é uma pessoa, mas influenciou minha vida.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

os dias depois de amanhã

a gente vive falando de como as pessoas nos tocam: amigos, professores, vizinhos. muita gente já passou pela minha vida em momentos cruciais e fez dela melhor, mais feliz e mais rica. hoje me parece poeticamente justo relatar como foi que isso se deu com uma dessas pessoas. alguém que eu não esperava que fizesse tanta diferença. é, bem uma dessas coisas.


tudo se resumia a uma visita que um dos meus amigos mais queridos me devia e o que  importa é que ele não veio sozinho. trouxe junto um outro amigo querido em comum e um conhecido que eu não via há quase uma década e que no final mudou tudo.


aqui cabe explicar que os dois últimos anos foram bastante difíceis. nem tudo foi um horror, é claro. nunca é. mas acho que não tinha um único aspecto da minha vida com o qual eu estivesse feliz no começo desse ano. terminar um casamento dá uma sensação de fracasso profunda, mudar de cidade faz a gente se sentir isolado, grana curta faz a gente se sentir pequeno. sustentar uma atitude positiva em longo prazo nessas condições é quase impossível.

e veio a vida e juntou de novo esse grupo tão improvável de pessoas que bem ou mal já se conhecia há mais de dez anos. todo mundo tinha muito papo para colocar em dia e o encontro foi um dos melhores momentos que eu passei na minha casa no ano passado. a visita virou um jogo de RPG, que virou uma campanha espaçada, que permitiu que todo mundo continuasse se encontrando e foi por isso que eu finalmente conheci um dos nomes mais inativos no meu msn. até hoje não entendo p q nunca apaguei alguém com quem eu não troquei uma única palavra durante 10 anos.


resumindo, ele se formou em uma das melhores faculdades, arrumou um emprego no qual ganhava muita grana, passou um tempo satisfeito e depois se deu conta de que não era isso que queria da vida. e aí passou dois anos no trampo juntando grana para poder parar cinco e tentar fazer o que ele gosta de verdade, que é escrever. e não se enfiou em casa e começou a botar no papel tudo que passava pela cabeça pq não é assim que as coisas rolam pra ele. foi é atrás de cursos e professores e o escambau pra entrar nessa empreitada de escritor. quando a gente retomou contato, ele já estava terminando o livro e tinha a vida que tinha planejado. pra mim, era tudo assombroso pq. comparativamente, éramos a falta de equivalência na forma de pessoas.


ainda assim esse cara organizado, planejador e satisfeito consigo mesmo se interessou pela mina mazela que normalmente sou eu, que por sua vez, zuada em todos os aspectos como estava, não pôde deixar de se interessar por essa pessoa tão diferente em uma série de aspectos, mas tão compatível em tantos outros. apaixonados por livros, por escrever e por séries em geral, por assuntos difusos e diversos que têm nada a ver com o  que a gente faz e que acreditam que um relacionamento amoroso é menos uma obrigação e mais uma vontade, que ciúmes é insegurança e não amor e que duas vidas podem sim ser independentes apesar de entrelaçadas.


o começo foi assustador. foi tudo tão perfeito, tão intenso. horas seguidas conversando sobre tudo antes de dar o primeiro beijo que, quando finalmente aconteceu, foi perfeito, e todo o resto. e eu apavorada. péssimo histórico e passando por toda essa merda. 


acho relevante dizer que, obviamente, eu não contei nada disso para ele. a gente não sai por aí dizendo 'então, antes de vc embarcar na minha, deixa eu te contar que eu tô em uma das piores fases da minha vida' e eu não pretendia que tudo acontecesse como aconteceu. firme no propósito de passar um tempo sozinha, tinha decidido depois da minha festa de aniversário, na qual ele conheceu só a minha familia inteira e mais os meus melhores e mais antigos amigos, que eu devia interromper a historia. ele falava o tempo todo em namoro e eu só pensava que, históricamente, tanta coisa dando certo só podia ser prelúdio do quanto ia dar errado. eu duvidava de estar mesmo sentindo tanta coisa e achava que era ainda pior estar de verdade, pq como disse a mulher do merovingio no matrix dois, histórias assim não estão fadada a durar. sabe o tal medo do post anterior? esse aí.


acho que ele não tem medo. não sei se ele sabe o que é se sentir assim, tão feliz que assusta. ele parece que vive ponto. e quando eu comecei a falar do quanto era melhor não rotular o que estava acontecendo e que a gente mal se conhecia, ele falou a frase que mudou todo o futuro da história: "p q vc num consegue deixar de lado o que já te aconteceu pra ver o que pode te acontecer?". e eu fui obrigada a concordar: não era ele, o que tava acontecendo entre a gente, que me dava medo. era tudo que já tinha me acontecido, por minha culpa ou de outra pessoa. medo. e toca pela segunda vez conscientemente na vida eu decidir que essa merda não ia me paralisar. mais: decidi me colocar inteira naquilo. base silogistica razoável: se é pra perder por pouco, perca por muito. dá no mesmo.


sem grandes detalhes, acho que basta dizer que a nossa convivência me mostrou que ter o que a gente quer da vida depende 90% da gente e 10% da sorte. que querer é sim poder se vc num fica sentado só desejando e bota a cara na rua pra fazer. que se planejar é ter tempo, e não o contrário. um monte de coisas tão simples e ainda assim tão complexas, que sempre tinham me escapado. unicórnio.


é claro que alguma coisa deu errado no caminho. no final, tanta zica junta em tantos campos fez com que eu exigisse mais dele do que eu queria de verdade, tentando extrair do nosso relacionamento toda a satisfação que eu não tinha do resto sem dizer nem uma palavra pra ele sobre esse resto. e mesmo apaixonada terminei o namoro alegando que a gente queria e esperava coisas diferentes, o que também não era verdade. não ter nada torna uma pessoa insegura e nessas condições é difícil lidar com alguém que não precisa de vc, só quer vc. por mais que querer seja muito melhor do que precisar.


claro que eu acordei e tentei voltar atrás, mas tem coisas que a gente num controla. no meio dessa loucura toda eu esbarrei no trauma dele, hora tão feliz pra se fazer isso. ele nem considerou dar uma segunda chance pra gente. não pra mim, mas pro fato de que a gente pode ser muito foda junto. em algum momento as experiências dele levaram à extinção em massa das segundas chances. ele nem parou pra pensar no conselho que me deu e nem que talvez tenha uma ou duas coisas fantásticas a se perder nesse processo.


aí entra a parte que me dá a impressão de que eu tinha que reconhecê-lo e conviver com ele e perdê-lo, pq o fim do nosso namoro foi um estopim. quando vc dá uma de louco e abre mão de uma coisa tão especial, pondera a raiz do surto. mágico que eu me dei conta de que precisava não dele, mas de todo o resto. e toca correr atrás. em dois meses, me desliguei do trampo e retomei os freelas até arrumar um trampo que eu estou amando, baixei todas as caixas e coisas que eu simplesmente ignorei e joguei fora tudo que não queria nem precisava, arrumei as finanças, parei de fumar, comecei academia, mudei o dia em que eu fico em sp para um que me permite encontrar amigos. não precisei nem de dois anos: dois meses.


ele faz ideia disso tudo? nope. temos um acordo de manter a amizade, mas é um exagero dizer que somos amigos. estamos no limbo que é o fim do namoro, quando as pessoas num são nem o que foram, nem o que poderiam ter sido. e o que eu acho que poderia ter sido ainda faz me faltar ar, ficar feliz e triste e ansiosa e arrasada e me revirar o estômago daquele jeito meio bom meio ruim que os estômagos reviram sempre que a gente se vê


mas sem ilusões: eu vou ter que superar. ele é definitivo e eu não quero forçar a barra. não quero piorar tudo. mais dia menos dia o frio na barriga, a perda de fôlego, a alegria ansiosa de saber que a gente vai se encontrar passa.  ele me ensinou a ser tudo que eu podia ser, a ter tudo que eu podia ter e se não é possível dividir tudo isso com ele como amor, que seja como amizade. não dá pra ter tudo, ok.


hoje, o que eu tenho é um presente de dia dos namorados pensado, planejado e executado pra ele, a pessoa que me ensinou o valor de pensar, planejar e executar. e não consigo me livrar da sensação de que é pra ele que eu tenho que dar. best valentine's day gift ever. sério.  


então decidi que depois de hoje eu me contento com o que é possível. mas hoje ainda não acabou e escrever tudo isso doeu. novamente, poeticamente justo desejar feliz dia dos namorados pra pessoa que eu vou superar e não esquecer. 

sábado, 19 de maio de 2012

a vida como ela deveria ser


quem já frequentava este espaço vai notar algumas mudanças. primeiro, as cores. desde que a link morreu, o que já vai uns seis, sete anos, esse blog era preto e branco. acho que passei esse tempo todo de luto, não sei. hoje consigo pensar na noite em que ela se foi sem chorar, mas ainda dói. acho que vai doer pra sempre, mas isso deve ter mais a ver com o meu apego ao passado e minha dificuldade em dizer adeus às coisas do que com um problema intrínseco com a morte.

essa num é a única mudança pela qual esse blog vai passar. o que vai ficar mais patente é o fato de que eu finalmente voltei a escrever, parabéns pra mim. estava perdendo a prática. mas é o conteúdo que eu quero redirecionar, e explico:

comecei a ler meus posts antigos e percebi que a principal fonte motivadora de colocar textos aqui sempre foi a minha eterna insatisfação com a vida. parece que eu sempre estou sofrendo por causa de alguma coisa. tudo extremamente pessoal, tudo muito sofrido. mas o pior mesmo foi verificar que eu sempre, sempre e sempre me repito, no sentido de que o que me faz sofrer é sempre a mesma coisa. é essa foi a postura que mudou na minha vida, e que eu quero refletir no blog.

o blog vai continuar a ser pessoal. eu quero dizer pro mundo em geral e pros meus amigos em particular o que me vai pela cabeça. o meu posicionamento diante das coisas é que tem passado por mudanças, na verdade. essas mudanças começara faz um ano e meio, mais ou menos, e acho que chegaram em um ponto de ruptura mais ou menos por agora. e é por isso que este post vai falar de uma coisa da qual eu sempre sofri muito e só ultimamente reconheci como desnecessária. vamos falar de medo.

eu sempre sofri de um medo atroz das coisas. medo de falhar. medo de não ser boa, bonita, legal, simpática, inteligente, gostosa, interessante, amiga, divertida o suficiente. quanta coisa eu não fiz por medo, sem nunca me dar conta que era isso, e só isso, esse sentimento estúpido, que me segurava. não que eu tenha medo de besteiras. sempre fiz o que me deu na telha quando o assunto são coisas estúpidas. mas aquelas coisas capazes de mudar uma vida, essas sempre me deram medo.


um exemplo prático: o curso de teatro. eu nem queria tentar fazer o teste, de medo de não passar e ter a prova, por a+b, de que eu não era boa o suficiente. acabei que passei, mas não era uma das melhores da sala, como estava acostumada. o que foi fantástico, pq poucas vezes na vida eu aprendi tanto tentando alguma coisa de verdade, saindo da minha zona de conforto e dando a cara a tapa.

o meu ponto é que depois disso eu, devagar e um pouco de cada vez, fui abandonando os meus medos. terminei o casamento do qual eu tinha medo de sair, mudei pra outra cidade mesmo apavorada com a ideia de sair de sp, assumi sozinha um monte de responsabilidades que eu tinha medo de num conseguir cumprir, me relacionei com pessoas mesmo com medo de me machucar ou de machucá-las e o resultado disso foi que, mesmo quando eu quebrei a cara, ainda assim ganhei muito mais do que perdi, sempre. e foi isso, junto com um par de exemplos que apareceram na minha vida, que me fez tentar mudar todo o resto.

bottom line: o medo foi a coisa mais paralisante que já me aconteceu. agora eu me pergunto como pude achar que tentar e quebrar a cara era uma alternativa melhor, mais lúcida, mais viável, mais fácil, do que cair na vida, tentar e errar, ter e perder. pra cada coisa ruim que me aconteceu ao assumir um risco, um monte de coisas e pessoas e lugares e experiências incríveis e insubstituíveis aconteceu. e se hoje eu entendo pq as pessoas preferem não se arriscar, me dá vontade de chorar pensar em tudo que elas podem estar perdendo por medo de se machucar, levar um fora, ser passado pra trás, ser enganado ou qualquer coisa do gênero. sei que parece que a gente não está perdendo nada e inclusive racionaliza que não vai sentir falta daquilo que não teve. mas aí, fica a pergunta: e se vc está deixando passar o emprego dos seus sonhos, o homem da sua vida, o melhor amigo que poderia ter tido?

hoje, me parece muito simples achar que medo não é razão suficiente para não viver, mas eu sei que o caminho pra chegar até aqui foi longo. 34 anos, pra ser mais exata.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

se o final fosse igual ao começo

lendo um blog muito bom indicado por um amigo, encontrei a seguinte frase:

"... você queria mesmo é que eu tomasse uma atitude e fosse atrás de você de vez, te segurasse antes de entrar em qualquer avião e te arrancasse um beijo daqueles que filme nenhum mostrou até hoje"

acho que isso resume o que toda mulher quer na vida pelo menos uma vez do homem que ama. um gesto desses, impulsivo e apaixonado, acalma o coração por anos, dá a certeza de que a pessoa é capaz de tudo por vc, nem que seja só uma vez e nunca mais. depois dizem que é difícil nos entender. na verdade, num tem nada mais simples.

quando eu era casada, me mudei para uma casa que precisava de reformas e uma parte delas nós mesmos resolvemos fazer (muito por falta de dinheiro). eu estava super empolgada com a ideia. imaginava a gente junto passando massa corrida, pintando paredes, portões e portas. o que acabou acontecendo na realidade foi que eu ficava em um quarto passando massa enquanto ele pintava a sala na outra ponta da casa.

sim, era o mais prático a se fazer. mais rápido. e sabemos que não devemos criar expectativas sobre nada na vida para não nos frustrarmos. e quando essa situação virou uma discussão e eu falei o que esperava que fosse a reforma, ele me acusou de querer viver em um filme. talvez. mas sabe a única coisa que me passava pela cabeça? que a casa e a reforma estavam lá, a gente só tinha que fazer. o como era escolha nossa. e p q não escolher o junto e sim o separado, o rápido e não o afetuoso?

é a úncia coisa que eu penso da vida, que tudo é assim: as coisas estão aí para acontecer e serem feitas. a gente é que escolhe o como.

pra quem?

respondendo à pergunta de alguns posts atrás, sim: fazer merda inédita é evolução. a sensação não dá essa impressão, o sentimento não se assemelha ao que se espera disso, as consequências não indicam nada do gênero, mas é.

perdida ao encontrar essa pessoa completamente desconhecida dentro de mim, cheia de vontades, ideias e conceitos que eu nem sei se partilho e ter que lidar com isso. como, se a minha referência era outra?

se me dissessem que terapia era isso, num sei se eu teria feito. eu nem sei se o que eu estou sentindo são sentimentos meus. conheço a origem, mas desconheço o processo.

arghhhhhhhhhhhhh

domingo, 15 de abril de 2012

vida online

eu ando meio viciada em internet. facebook, twitter, até voltei a escrever neste blog. estava intrigada com isso, pq de modo geral eu nem gosto de ligar o computador de final de semana, e vejam só: hoje é domingo e eu estou aqui, ressucitando este blog. mas acho que entendi o que está acontecendo.

eu mudei pra itanhaém faz um ano e um mês. adoro minha casa. adoro morar ao lado da praia, abrir a janela e ver a serra e não um monte de prédios, o ar limpo, a total e completa ausência de trânsito, o silêncio cheio de barulhinhos de pássaros e grilos, ver vagalumes só de sair no portão... é tudo absolutamente delicioso.

claro, tem seus contras. chove muito aqui, a cidade é pequena de um jeito que nem dá pra acreditar direito pra quem cresceu em são paulo, foi um inferno conseguir uma conexão minimamente decente de internet e dá vontade de matar gente de verdade em feriados prologados. mas o pior de tudo é a distância dos amigos.

quem me conhece vai dizer que eu sempre fui mais de ficar trancada em casa. é verdade. prefiro visitar ou receber visitas a sair de balada. faz anos que eu num saio em balada dois finais de semana seguidos. mas morar aqui no litoral me faz passar a semana inteira sozinha, e trabalhar em casa faz com que eu mal coloque a cara na rua pra nada. um ano inteiro assim está começando a pesar.

eu sinto falta de poder ligar para as pessoas e falar "num quer passar aqui?" ou "estou aí do lado, num quer tomar um café?". tudo que eu pretenda fazer com meus amigos exige um planejamento imenso, deixar os cachorros sozinhos em casa por um final de semana inteiro (o que eu gosto menos de fazer do que eles de passar). então, acho que estou compensando isso tudo com a internet. o face permite que eu saiba o que as pessoas estão fazendo, o twitter me permite contar coisinhas bestas e o blog me permite desabafar.

claro, nada disso substitui de verdade o contato real com as pessoas que a gente gosta e das quais sente saudades, mas ajuda a apaziguar um pouco o espírito e dá a impressão de que, de uma forma ou de outra, vc não está completamente isolado do mundo.

vai ter quem pense que eu me arrependo de ter mudado. não, não me arrependo. como eu disse, tem um monte de coisas que eu amo em morar aqui. todo final de tarde eu saio pra ver o sol se pôr e toda noite antes de deitar vou até o fundo do quintal olhar o céu, que aqui é mega estrelado. mas eu sinto falta de gente me visitando, de num pagar fortunas para falar com as pessoas pelo telefone, de andar no meio da rua e encontrar gente conhecida. a única pessoa que eu conheço em itanhaém é o cobiaco e a gente nem tem tido tempo de se encontrar.

resumindo: ando meio solitária. e isso tá começando a me incomodar.

evolução?

pra gente ver como são as coisas: estava namorando esse cara gente finíssima, inteligente, altamente desencanado, tudo que eu sempre disse que queria na vida.

seja por qual motivo for, eu, que sempre reclamei da dependência e pegação no pé de meus namorados, diante de uma pessoa tão desencanada, surtei. sim, no melhor estilo mulherzinha, coisa que eu odeio. caguei, simples assim.

foram-se os anéis, ficaram os dedos, e só me restou ponderar o assunto. e me dei conta de uma coisa: eu sempre reclamei muito de mim mesma por repetir os mesmos erros. aí, me veio o clique: pelo menos dessa vez, o erro foi inédito. nunca antes um namoro meu acabou pq alguém pudesse dizer que eu tava pegando no pé, enchendo o saco, sendo ciumenta.

a dúvida que ficou foi que ok, eu pelo menos não estou repetindo as mesmas cagadas over and over again esperando resultados diferentes, mas será que dá pra chamar isso de progresso?

assunto pra terapia, sem dúvida.

fazer cagada na vida ajuda a crescer

de boa, gente, faz mesmo.

a gente chora, aprende, sente coisas difusas e diversas e depois vem o tempo e nos leva com ele

resumindo: a gente vive

domingo, 1 de abril de 2012

...

estava assistindo a um programa sobre um grupo de suricatos do deserto do kalahari que a universidade de oxford estuda há dez anos. ontem um grupo rival havia invadido a toca onde estavam quatro filhotes e apenas um suricato adulto, shakespeare. os outros suricatos chegaram a tempo de expulsar o grupo invasor, mas não antes do suricatinho que defendia os filhotes se jogar sobre o macho dominante do outro grupo para defender as crias da fêmea dominante do grupo dele e sumir no auê da batalha que se seguiu.

como pessoa apegada ao passado que sou, fiquei de coração partido pelo suricatinho valente que sucumbiu, mas invejei o mundo selvagem: ninguém no grupo dos suricatos dele deu qualquer demonstração aparente de sentir a falta do shakespeare. ficou no meu coração.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

dez anos

gente, isso mesmo. este mês este endereço fez 10 aninhos. como pode? não que ele esteja lá muito ativo, mas ainda assim... meu relacionamento mais duradouro, hauhauhauhauhau

parabéns para nós!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

será que dá pra retomar?

eu já escrevi muito aqui. já escrevi pouco. já passei ano sem escrever. a verdade é que eu quero retomar meu blog, mas num sei bem como. muita gente ainda lê? ninguém mais vem aqui? será que eu quero mesmo saber?

o ponto é que eu tô numa fase inédita, e li uma história do constantine sobre um cara que é amaldiçoado e passa a gritar aos quatro ventos pra quem (não) quiser ouvir as piores atrocidades registradas no seu diário. me dei conta que, se o cara tivesse um blog, tinha economizado muita dor de cabeça, já soltava no vento e num passava o carão de estar lá na hora pra ver o que o pessoal achava do que ele tinha pra dizer.

eu sei, num tá fazendo muito sentido. sem problemas. eu só queria escrever. acho que eu preciso de um lugar pra soltar essas coisas, ou daqui um pouco vou fazer isso no twitter, e se tem um troço que eu acho o ó é ficar lendo no twitter sobre o que as pessoas comeram, pensam do tempo, como foi seu dia. fica esse monte de coisa irritante pipocando na sua cara. blog entra pra ler quem quer.

e uma última coisa: cair na vala com o carro sai caro. pacas!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

não cague na saída

faz tanto tempo que eu não escrevo neste blog que dá até uma certa vergonha. por outro lado, boto uma fé que não tem mais ninguém lendo, e ser desconhecido era uma das coisas legais de se ter um blog. eu prefiro público pq quero sentir que compartilhei com alguém, mas gostaria da privacidade de ter um blog que meus amigos desconhecem. agora que esse endereço bem ou mal está ativo há uns 10 anos, acho, eu não gostaria de abrir mão dele. sendo assim, vou contar com a colaboração de quem ler: por favor, não comente comigo a respeito. se eu quisesse que as pessoas ficassem sabendo e me procurassem, tinha mudado meu status no facebook, o que seria muito mais eficaz tanto em termos de disseminação quanto em tempo de resposta.
por outro lado, o que eu tenho para desopilar é simples e, para a maioria, ininteligível. então, aqui vai: tocar a sua vida era um direito, me humilhar no processo foi opção.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Roma, 04 e 05 de fevereiro de 2010

Roma, 05 de fevereiro de 2010.

Tenho dois dias para descrever, e ambos foram incríveis!!!

04.02

Fomos ao Vaticano. Para isso, foi preciso tomar metrô. Nada terrível, super simples. O trem é novinho, mas as estações são meio podreira.

O museu do Vaticano é simplesmente incrível: tem um monte de mini museus dentro dele: um museu de arte egípcia (com múmias e sarcófagos e tudo que se tem direito, apesar de não muito grande), um museu de arte etrusca (que estava fechado), um museu de selos e moedas (que não fomos), uma série de salas pintadas por ninguém menos que o digníssimo Rafael (que são de cair o queixo), uma grande coleção de esculturas greco-romanas (com todos os deuses e heróis mitológicos que se possa imaginar) e, é claro, a cereja do bolo, a Capela Sistina.

Aqui cabe um comentário: apesar de simplesmente impressionante, preciso dizer que a Apple não teria vendido nem um pen drive na renascença. O teto, as paredes, tudo na capela é over. Um excesso de imagens de dar dor de cabeça. Impressão que pensaram “Num deixa sobrar nem um pedacinho de reboco descoberto, ok?” De qualquer modo, dá vontade de chorar: um pouco de dor no pescoço e vertigem e outro tanto por saber quem fez, o que representa e, claro, pela perfeição da coisa como um todo. Gostei muito também das salas de mapas, com mapas belíssimos e super lúdicos das diversas regiões da Itália. Me senti olhando para a Terra Média, rs!

A parada para o Cappucino obrigatório, umas das grandes obras de arte da Itália, também foi divertida. O motorista de um caminhão nos ouviu falando português e puxou conversa em um português quase perfeito. Disse que nossa terra era linda, que português era legal, que o carnaval é o que há, lá, blá, blá. Ainda preciso encontrar os italianos mal educados sobre os quais fui avisada, pq até agora o povo só faltou nos pegar no colo e dar comida na boca.

Do museu, seguimos para a basílica de São Pedro. Aqui, tenho que registrar que a roupa da guarda papal parece ser inspirada nas roupas usadas pelos bobos de corte dos filmes mundo a fora: é simplesmente ridícula. A primeira parada foi a necrópole em que os papas são enterrados. À parte o fato de ser impressionante ver os sarcófagos de Papas de 1200, 1300 e, claro, o mausoléu de Pedro, o 1º de todos, a real é que o que mais me emocionou foi ver o túmulo do João Paulo II. Eu e a Sá choramos feito crianças, nem me pergunte o motivo. Foi absolutamente inesperado e involuntário, mas me desmanchei. Solucei mesmo. Ele era um fofo.

A Basílica em si é gigante, cheia de estátuas e monumentos funerários de mais tantos outros Papas. Lá em cima fica a Pietá, a escultura mais perfeita de que já tive notícias. Ela é simplesmente linda. O sofrimento naquela face de pedra é simplesmente arrebatador. De maravilhar mesmo.

Outras curiosidades sobre a Basílica:
1. Muitos túmulos de papas estão lá em cima. Parece que rola uma predileção por deixar os papas de nome Gregório lá perto do público, sentindo o clima. Só achei um pouco de mal gosto o fato de que há duas múmias de papas expostas lá. Vc olha e acha que é uma estátua, depois se da conta que se fosse estátua num estaria vestido com sapatos, depois dá um mal estar e tals. Meu irmão adorou!

2. Tem uma estátua de Pedro bastante famosa na qual todo mundo passa a mão nos pés. Tanto que os pés em questão estão gastos.

3. Há uma ala na qual vc só pode entrar se for se confessar, caso contrário, não pode entrar. Fiquei pensando se eles têm padres que falam diversos idiomas para poder atender a um público tão diverso.

Nós chegamos lá perto do fim da tarde, então conseguimos assistir à missa das 17:00. Muito foda ver a missa na Sede das igrejas de todo o mundo. Eu não me fiz de rogada e comunguei na Basílica de São Pedro, o que num é nenhum fim do mundo do ponto de vista espiritual, já que eu fiz crisma e comunhão. Faltou me confessar, mas num ia dar tempo de comungar se eu fosse contar para um padre que nem ia me entender tudo que eu pequei nos últimos 16 anos...

Foi um passeio muito, muito, muito gostoso. Para completar, a rua que leva até o metrô parecer ser tipo a rua do Brás de Roma: um monte de roupas lindas, mais baratas que em SP. Se der tempo, voltamos lá for shopping spree...

Jantar básico no Mac. Só para fazer valer, pedi um Mac Italy. Gosto de sanduíche de Mac!

Roma, 05.02

Hoje fomos visitar as Catacumbas. Aqui, cabe dizer que ninguém quase sabe das catacumbas de Roma, uma das coisas que eu mais queria ver nessa viagem. Por ficar fora do centro, que já tem sítios arqueológicos o suficiente para programar 3 viagens, as catacumbas de Roma são meio que ignoradas, o que é uma pecado.

Como já estamos em casa, fomos de metrô e bus. Claro, sempre rola um mico de perguntar para as pessoas que bus tomar e depois não entender o que elas respondem, o que na verdade me impressiona: eu falo fluentemente 2 idiomas (inglês e português) e o básico de mais dois (francês e espanhol). Desses 4, 3 são neolatinos, como o italiano, mas simplesmente é complexo entender o pessoal daqui. Ainda assim, estamos comprovando que quem tem boca vai a toda a Roma, pq num deixamos de ir a nenhum lugar que quisemos até agora.

Roma tem cerca de 53 catacumbas, das quais 5 estão abertas para visitação. Todas ficam fora de Roma, pq na antiguidade não de podia enterrar as pessoas dentro dos muros da cidade. 3 dessas catacumbas ficam no que eles chamam de Via Appia Antica, a principal estrada da Roma antiga.

A Via Appia é simplesmente encantadora. Cheia de ruínas ao longo do caminho, além de propriedades privadas imensas e maravilhosas. Foi só hoje que eu entendi o que significa ser milionário e comprar uma vila na Itália. Inveja de fazer cair raio na cabeça, pq a paisagem é deslumbrante.

Nossa primeira parada foi no mausoléu de Cecília Metella, esposa e filha de um banqueiro muito rico, contemporâneos de César e Pompeu, no final da República. O mais legal foi entrar para visitar e um senhor italiano, funcionário do departamento de arqueologia de Roma, puxar papo com a gente e começar a explicar do que se tratava o monumento. Detalhe: em italiano. O que deu pra entender:

A tal Cecília era riquíssima. A família, super importante. O marido era tipo um empreiteiro e banqueiro perto da época do final da república, antes de César ser coroado imperador. O castelo em que vivia e que era onde estávamos, tinha sido enorme e cortava a via Appia em duas, e se cobrava um pedágio para passar por ali. Quando ela morreu, a torre do mausoléu foi construída e o corpo foi enterrado ali. Aparentemente, a construção era um tipo de pirâmide, cheia de câmaras secretas cheias de tesouros. E como as pirâmides, foi totalmente saqueada. Hoje, sobraram a torre do mausoléu e algumas salas, além da igreja do castelo, que fica do outro lado da Via Appia. Ele também explicou que Espartaco era um príncipe trácio que foi feito escravo e colocado para lutar como gladiador, que ele juntou um exercito de 22 mil homens, aterrorizou o império por um tempo e que, quando foi capturado, ele e seus homens foram crucificados ao longo da via Appia. Mais de 400 cruzes com homens pregados, cobrindo uma distância enorme. Apesar de interessante, num saquei o que o Espártaco e a Cecília tinham que ver um com o outro.

Também visitamos a Villa de Massenzio, que se não me engano foi à residência de algum imperador. Além do castelo, o complexo tinha seu próprio circus, aquele espaço gigante para prática de atletismo e corrida de bigas e tals. O lugar é LINDO!!!

Finalmente, chegaram as catacumbas. A primeira que visitamos foi a de São Sebastião, na qual estão enterrados os restos mortais do santo em questão. Visitas guiadas, lugar claustrofóbico e simplesmente de cair o queixo. São quilômetros e quilômetros de túneis escavados pelos cristãos que só se enterravam lá, não ficavam se reunindo no local não. Segundo os guias, isso é mito. Depois de conhecer o lugar, tive que acreditar: se com luz elétrica o pico é pequeno e escuro, imagina com lamparina a óleo.

O curioso é que diz a lenda que lá estão corpo de S. Sebastião, além de um pedaço da coluna na qual ele foi amarrado e uma das flechas que não o matou (ele era um militar que foi sentenciado a morte por flechadas quando se descobriu que era cristão. A tradição cristã conta que ele não morreu das flechas. Porém, quando se descobriu que estava vivo, o coitado foi espancado até a morte), além de um par de pegadas de Cristo, que já estava morto quando deixou as dita cujas em outra igreja (conhecida como Quo Vadis) que fica 2 km mais pra frente da de SS, mas que aparentemente foi assaltada pela amiga.

De lá, seguimos para as Catacumbas de Domitilla, uma escrava de uma das descendentes dos flavianos (a família que construiu o Coliseu) que recebeu aquelas terras de sua senhora e que as doou para os cristãos (detalhe importante: só se podia construir catacumbas em terreno particular). E chegar nessa catacumba, ao dia inteiro passou a valer a pena!

Ao chegar, roteiro básico de comprar ingresso, esperar a visita guiada em inglês e tal. Só que o responsável por essas catacumbas é um padre paraense extremamente simpático, que nos levou fazer um tour praticamente particular, por áreas que inclusive são fechadas aos acessos dos grupos em geral!!! Tivemos toda a narração e explicação em português e ele, no cúmulo da simpatia, bateu duas fotos nossas lá em baixo, onde inclusive é proibido, em um corredor que ele, como responsável pelo lugar, sabe que não tem câmera de vigilância!!! Foi MUITO, MUITO, MUITO legal! Na saída, pegamos cartões, sites, folhetos para distribuir em SP e deixar no nosso hotel, além de umas lembrancinhas básicas. Saímos de lá com a certeza de que vai ser difícil qualquer parte da viagem ser mais foda do que o trecho de Roma. Ta tudo dando muito muito certo.

De lá, tentamos seguir para a Basílica de São Paolo. Nos confundimos sobremaneira com que lado tomar o bus na avenida principal e, em outro momento “Troféu Italiano Mais Simpático do Dia”, uma senhorinha que notou que estávamos perdidos só faltou fazer mímica para nos ajudar a nos achar. Agradecemos e seguimos para o ponto que ela indicou. No cúmulo da boa vontade, quando ela viu o bus que a gente tinha que pegar passando do outro lado, ela correu para nos avisar que outro bus daquele só passaria dali uma hora. Uma FOFA! O ponto é que nisso já eram cinco da tarde e num ia dar tempo de ir a basílica, então voltamos para o hotel, tomamos banho e fomos jantar no Alessio, o restaurante em frente ao hotel no qual já tínhamos comido no primeiro dia. No momento, somos os clientes favoritos do Mauricio, o dono do lugar, que inclusive vai para o Rio em julho e que pretendemos receber no Brasil.

O resumo total disso tudo é que eu, que sempre quis ir para Paris, to com dor no coração de ir embora para a Cite Lumiere depois de amanhã. Não quero sair de Roma nunca mais. Romanos mal educados, uni-vos. Expulsem-me daqui, por favor. Caso contrário, num sei se vou embora não.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Diário de Bordo

Roma, 02 de fevereiro de 2010.


Depois de anos de espera, diversas mudanças de presidentes e um transplante de córnea, estou em minha primeira viagem pela Europa. Roteiro básico: Roma, Paris e Londres. Sim, tô espumando de felicidade. Os próximos posts serão diários de bordo (tem que imortalizar, né?)

Embarque:
Super sussa. Não que a gente esperasse problemas com a imigração do Brasil, mas esse povo sempre me surpreende, então...

Vôo:
Foi tudo bastante bem. A comida era boa, os filmes eram bons. Problema: impossível dormir profunda ou superficialmente naquela poltrona. Tirei cochilos, fiquei toda torta e cheguei podre de cansada. Num tem jeito: primeiro dia é zumbizar.

Chegada:
Deu pra perceber que Roma ia ser legal logo na imigração: foram todos super simpáticos. Isso mesmo: os Feds daqui foram uns fofos, perguntaram um mínimo, foram muito simpáticos e só faltaram dar dicas do que visitar na cidade. Uma surpresa super grata.

Translado:
Destemidos que somos, eu, minha cunhada e meu irmão não reservamos nenhum transporte: tudo na unha. Na saída do aeroporto tem uma estação de trem com trens para diversos lugares, e um trem especial direto para Roma Termini, a estação central. 11 euros a passagem e vc vem direto. Uma viagem de meia hora ou menos, com algumas particularidades:

Frio DE RACHAR!!! De doer nariz, garganta, orelha e tudo que estiver exposto e/ou fizer parte do sistema de vias aéreas. Haja manteiga de cacau e hidratante. Meu rosto fica vermelho pacas 
Os vagões têm reservados para fumantes, o que eu achei bastante legal. Quer dizer, fumante aqui não precisa se sentir como um criminoso, que deve ser impedido de exercer seu hábito em público. Achei educado com a parcela da população que insiste em fumar. Os caras têm direitos, pô!
Pixação é a mesma merda em tudo quanto é canto. A linha do trem de lá até aqui é toda pixada. Passamos por algumas ruínas que pareciam ser o que sobrou de algum aqueduto e até lá tem pixação. De doer. Depois ninguém entende como tem gente que só pensa em pixador como deliquente e não artista.

Nosso hotel não fica longe de uma das saídas do Roma Termini. Se a gente tivesse usado a saída mais próxima e não a mais distante, teria evitado um bom pedaço de malas off road. Mas a caminhada foi instrutiva: deu pra notar que os italianos são um povo destemido. O trânsito aqui é o caos e quase não há semáforos. Vimos fechadas, xingamentos e inclusive uma batida. Deu pra ter uma idéia de onde o paulistano herdou o comportamento atrás do volante.

O hotel em que estamos é bastante simples, mas o quarto é bem perfeitinho: 3 camas deliciosas, bem quentinho, com um chuveiro bem bom. Bem gostosinho e bem central.

O turismo mesmo ficou meio comprometido hoje: como foi impossível descansar no avião, chegamos aqui bem baleados. Foi a teimosia que nos fez botar a cara na rua e não nos enfiarmos debaixo das cobertas até amanhã. Teimosia e uma sensação de “ainda num parece que eu cheguei”, que nós fomos tentar dissipar visitando coisas próximas, sem um roteiro definido.

Aqui do lado do nosso hotel fica a Praça da República, e nela tem uma igreja lindíssima, a última obra de arquitetura do Michelangelo. Foi construída sobre os maiores Banhos romanos já construídos, os do Dioclesiano. A dita cuja passou por uma reforma no século XIIX e não sobrou quase nada do trabalho do Miguel, mas ainda assim, ela é maravilhosa. O órgão do lugar pega uma parede inteira!!! Absolutamente impressionante!

Da igreja, fomos almoçar em um restaurante muito gostosinho que faz parede com o nosso hotel. O almoço com entradinha, prato de Lasanha, carne com salada e batatas, mais água e vinho, custou 20 euros por cabeça e, além de me deixar bebinha, pq tomei o meu vinho e o do meu irmão, estava uma DELICIA. O Lê, moço famoso por seus hábitos alimentares um tanto frescos, ta maior feliz: se tem um lugar no mundo em que servem comida que ele gosta, esse lugar é a Itália.

Claro que nessa hora ninguém queria mais fazer nada, só jiboiar. O problema é que dá dó estar aqui e ir dormir. Fizemos então a única coisa que parecia suplantar o cansaço: fomos ver o Coliseu. Como curiosidade interessante, um cara bastante estranho começou a nos seguir, mas desistiu. Quanto ao Teatro de Flávio, só vou dizer isso: chorei na frente daquele troço. Mas só ficamos do lado de fora. Como é inverno, o sol está se pondo muito cedo e nós chegamos lá meio tarde. Vamos voltar amanhã e aí sim entrar. E eu tenho certeza de que vou chorar de novo!!!

Na volta, passamos num mercadinho para comprar coisinhas para comer, que a gente num quer ficar pobre aqui. Eu simplesmente desmaiei na cama. Acordei sei lá quanto tempo depois. A Sá e o Lê já estavam dormindo, e eu vim relatar nossa viagem antes que eu me esqueça de alguma coisa.

Viajar é muito bom!!!!

Jantamos pizza num restaurante na porta do hotel também. Uma delicia. O molho de tomate daqui é perfeito. A mussarela é a melhor. E o dono, o Mauricio, entrou para o rol de super simpáticos da viagem. 
Tô amando!!!
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Roma, 04.02.10

Hoje foi dia de turista mesmo. Coliseu, Fórum Romano, Palatino. Um monte de ruínas. Absolutamente lindo! 12 euros e vc pode visitar esses 3 lugares.

O Coliseu é impressionante. Chorei na porta ontem quando vi pela primeira vez. Vespasiano era foda!!! Escadas íngremes, altura tremenda, imponência insuperável. Foda, foda, foda. Dá medo pensar no que aconteceu lá. Pena que a parte que mais me fascina, o Ipogeu, que seria o backstage dos eventos que ocorriam lá, não possa ser visitado. Impressiona. Atualmente, meu lugar favorito no mundo.

O Fórum Romano é um sítio arqueológico no meio da cidade, totalmente tomado por ruínas: O Arco de Tito, Templo de Saturno, Arco de Septimus Severus e mais um MONTE de outras ruínas. Casa das Vestais, Templo de Castor, Duas Basílicas... O que vc imaginar, tem lá.

Já o Palatino é uma área adjacente ao Fórum, com várias ruínas também, mas essas mais esparsas. Há uma casa romana não totalmente detonada lá, mas as visitas são guiadas, em grupos pequenos e o taxa a parte. Não entramos, mas deu pra ver alguma coisa, já que o que num  falta em  ruína é buraco. Muito legal. É um sítio bem grande, não conseguimos ver tudo. Quero ver se volto lá antes de ir embora, até pq eu quero ir ao Coliseu de novo.

Também demos uma passada no Monumento ao Soldado Desconhecido e preciso dizer que, se eles construíram um troço daqueles pro soldado desconhecido, num quero nem imaginar o que seria se soubessem quem era o cara. É praticamente um palácio descomunal, cheio de esculturas por todos os lados, branco feito neve, em pleno processo de restauração. Mais limpeza, na verdade, pq ele ta bem inteiro. E isso só do lado de fora. Não entramos por medo de perder o ingresso pro Palatino, mas devemos voltar lá amanhã.

À parte o turismo, Roma é uma cidade muito foda. Primeiro, tem muita gente linda na rua. Segundo, por ser inverno, tem muita gente bem vestida. E cheirosa. E ruim de volante. Os romanos passam a impressão de não ligar a mínima para os próprios carros: param em qualquer lugar, quase todos tem um amassadinho ou amassadão.... Na porta do meu hotel os carros estacionam em ângulo de 90 graus, não sei se porque tem que ser assim ou se é pra economizar espaço. O Rio de Janeiro é um modelo de organização e educação no trânsito em comparação com o caos que rola na rua aqui,

Também descobri que aquelas vielas e scooters que a gente vê em filme são coisas tipicamente romanas. Muita gente anda de motinho, e tem muita motinho pra alugar. Quem me dera eu soubesse dirigir sobre duas rodas. Não estaria com  o pé na salmoura hoje, de tanto que a gente andou.

Seguindo nossa tradição de 1 dia, fomos comer pizza em outra pizzaria hoje. Não tão boa quanto a de ontem, mas deu para estabelecer que o molho de tomate italiano deveria fazer parte da dieta de todo ser humano.

Também ando enchendo a cara de vinho, hauhauhauhuaua. E o vinho aqui é bom. Muito bom.

Resumo: Quero vir morar em Roma.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

RIP

Vindo de fretado para Hortolândia hoje, umas 7:30 da manhã, congestionamento terrível na Marginal Tietê. Sexta-feira, OK, eu já esperava. Perto da ponte do Piqueri, a razão: moto caída, sem banco. Helicóptero da Polícia Civil 40 metros à frente. Entre os dois, motociclista e dois policiais civis. O motociclista imóvel. Os policiais, um com o balão de oxigênio sobre o rosto do homem caído (que não parecia ter mais de 25 anos), o outro aplicando massagem cardíaca. A equipe do resgate chegou enquanto eu ainda olhava estupefata pela janela do fretado. Tomaram os lugares dos policiais. E nós passamos pelo acidente.

Fazendo uma busca na Internet, descubro que todo esse esforço foi em vão. O moço morreu no local. Quer dizer, já estava morto quando eu passei por ele. E eu sei que vou passar um tempão lembrando que ele estava sem os sapatos, só de meias brancas, com um pé virado para cima e o outro meio caído pro lado, nenhum indício de sangue a vista.

Alguém mais novo do que eu saiu de casa hoje, um dia ensolarado e até bonito, e não chegou em lugar nenhum: expirou em uma das avenidas mais feias e detestadas da cidade, no meio do caos do trânsito de São Paulo em plena sexta-feira, descalço. E todo o resto da avenida passou, olhou com curiosidade e seguiu com a própria vida.

A mim, coube o surgimento de uma aversão inimaginável por motos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vontade absoluta de ler Sense and Sensibility de novo... Que diabos tem a Jane Austen que todo ser bobinho como eu gosta dela?
Feliz dia do Tradutor!!!

Eu vou voltar, juro!

Só preciso de tempo, o commodity mais caro do mercado.

sábado, 16 de maio de 2009

Coisas que eu vou sentir falta quando vc for embora:

• ouvir vc dizer "aqui, betinha" pra me avisar onde diabos nessa casa deste tamanho vc está
• sua mania infernal de limpar todos os cinzeiros
• vc cantando no chuveiro, em absolutamente todos os banhos que eu vi você tomar
• a quantidade de nomes que eu desconheço e que vc cita em uma conversa como se falasse do ser humano mais famoso do mundo
• o seu olhar de carinho toda vez que a nina chega perto de vc
• o seu gosto por cientistas malucos, grandes estrategistas orientais e escritores de livros difíceis
• deitar na sala pra assistir "O Universo", "Combates Aéreos" ou qualquer outro desses programas que só a gente e os produtores querem ver
• as suas estantes de livros, que combinavam tão bem com as minhas
• os livros nas suas estantes, a maioria dos quais eu não li
• vc dizer as coisas mais estapafúrdias do universo com a cara mais séria do mundo e quase me fazer acreditar
• o seu cabelo fininho de bebê
• vc me chamar de doce
• os cafés que vc me trazia na cama
• os cafés que eu te levava na cama
• todas as coisas que a gente planejou mas não fez, como ter o nosso closet, a nossa casa na chácara, as coleções de livros que a gente ia ou não comprar, as cores das paredes que a gente não chegou a pintar...

Eu vou sentir falta de tudo. Das coisas que a gente teve e não tinha mais e das coisas que a gente poderia ter e não teve tempo, pq achou que o infinito em quanto dure fosse mesmo pra sempre...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Kita, vc é lindo!!!

TP, eu vou sim te buscar!!!

Dois amigos tão queridos tão longe!!! O que me deixa feliz é que estão vivendo a vida foda em um lugar foda e que estão bem!!! São gente que fez e que faz.

Amo vcs!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Volta e meia eu volto aqui, olho pra esse blog e penso que eu deveria escrever. Aí, todo esse preto me lembra que eu esmoreci depois que a Link morreu. Sim, isso faz tempo, mas não o suficiente: até hoje eu não posso pensar muito nisso. De toda a dor, ficou a certeza de que eu absolutamente não sei lidar com perdas. E talvez nunca aprenda. Porque, na real, eu sou apegada. Muito. Demais.

Mas não é sobre a Link que eu pretendo escrever. É sobre a Nina. A cocker quase minha. Quase porque eu a achei na rua e pretendo procurar o dono. Sem muito afinco, tenho que ser sincera, mas me aterroriza a idéia de que alguém esteja passando o que eu passei quando perdi a minha gata por causa dessa coisa linda que tá aqui deitada do meu lado. Sendo assim, eu me sinto obrigada a tentar encontrar quem a perdeu. Que ela tinha um dono é fato: ela é linda, bem cuidada e até ensinadinha. Até pq na verdade o que ela conhece muito bem não são comandos tipo "senta" ou "deita", mas ela conhece profundamente a palavra "não". Não entra no meu quarto, não faz nada que vc não deixe, tirando um xixi ou outro no meu chão. Mas desde que eu comecei a criar a rotina dos passeios, ela parou com isso.

Agora eu tenho companhia, e do exato tipo que eu precisava. Porque a grande maravilha de se ter bicho de estimação é o tal amor incondicional. E a Nina me ama (ou assim parece). Seja medo de ficar de novo na rua, seja porque ela se apaixonou à primeira vista e literalmente pulou no meu carro e pediu pra ser trazida pra casa, o fato é que eu ganhei uma sombra muito carinhosa. Onde eu estou, ela está. E chora quando eu saio, esteja ela só ou acompanhada. E faz festa e pede carinho sempre, mesmo depois de levar uma bronca daquelas. E tem algumas coisas assustadoramente parecidas com a Link, tirando o fato de que uma era uma gata branca e a outra é uma cadela preta.

O que me encanta de verdade nela é que bicho de estimação não te julga. Não fica puto nem te magoa porque você pisou na bola. Não te sacaneia de raiva, maldade ou simplesmente por não saber fazer diferente. Não diz coisas que vão te perseguir pelo resto da vida. Simplesmente não tem lado negativo. Mesmo os passeios constantes e necessários, motivo pelo qual eu jurava que nunca iria ter um cachorro, não são sacrifícios. Eu nunca levantei da cama às 07:30 da manhã tão rápido quanto eu levanto para levá-la para passear. Me fez até entender melhor a Nana, coisa que eu nem fazia questão.

O ponto é que ela tem me feito muito, muito, muito bem, tirando a dor no coração que é sair e deixar a coitadinha em casa. Domingo eu fui ao Tim festival, que terminou às 5 da manhã. Tudo que eu queria era voltar pra casa a tempo de levá-la para passear logo cedo. E fui, meio zumbi, mas feliz. E a Nina apareceu em boa hora. Eu estava me afogando nos meus defeitos, todos sempre tão bem apontados e tão pouco tolerados por todo mundo que mais jura que me ama, pessoas essas tão ou mais imperfeitas do que eu. De um ano e meio pra cá, eu quase fiquei com raiva de ser quem eu sou, de tanto ouvir que eu sou foda e do caralho e uma das melhores pessoas do mundo e a única pessoa com quem passariam a vida quando na verdade isso não é absolutamente verdade. Não sei se é hipocrisia, incapacidade de atentar pras necessidades dos outros, falta de noção do mundo, egoísmo, crueldade ou o q. Longe de mim achar que sou perfeita, mas a compreensão de quase tudo em quase todo mundo acabou, não porque eu quisesse, mas pq não me sobrou QE pra isso. Algumas das pessoas que eu mais amo me magoaram profundamente nos últimos tempos e eu simplesmente não consigo mais voltar pro que eu era antes. Pior: não consigo fazer com que elas voltem a ser, para mim, o que eram antes. E aí eu entendi a história do café com pão na padaria. Realmente, quando quebra lá dentro, não tem muito por onde voltar.

Agora, isso não é apontação de dedo. Quer dizer, eu não culpo ninguém por nada disso. Porque eu sempre soube muito bem como eram essas pessoas e sempre escolhi estar perto delas. Eu nunca gostei de ninguém "por causa de", foi sempre "apesar de". O problema é que houve uma época em que eu conseguia lidar bem com o lado negro alheio, pq eu era outra pessoa. Eu não sabia exatamente o que era perder. Quando eu descobri, descobri também o que era mágoa. Hoje, eu tenho experiência com sentimentos horríveis, coisas que em épocas mais equilibradas eu desconhecia (talvez por isso fossem essas épocas mais esquilibradas). E, se por um lado a conviência dói, o apego do qual e falei lá no começo faz com que eu simplesmente seja incapaz de virar as costas. Resumo: entalada. Entalada pelas coisas que eu fiz e não deveria ter feito, disse e não deveria ter dito, ouvi e não deveria ter ficado quieta. E essa merda de personalidade não ajuda. Detesto história mal resolvida, mas detesto confrontos. Confrontos trazem à tona o que eu tenho de pior, e o meu pior hoje é infinitamente pior do que era antes.

Eu sei, parece que eu estou deprimida. Não estou. No balanço pessoal que eu sempre faço, é o quarto ano em que eu chego à conclusão de que eu piorei (claro, do meu referencial). De que as pessoas ao meu redor pioraram ou que a minha tolerância reduzida as vê pior. Eu não sou mais a pessoa de quem elas gostavam, nem ela são as pessoas que eu amava. O problema é que a Poliana enclausurada dentro de mim insiste em ver esse mundo que não existe mais. Na verdade, é só uma guerra interna: quem eu era X quem eu sou. Eu prefiro quem eu era, mas tenho que conviver todos os dias com quem eu sou. E isso tá me comendo por dentro.

Graças a Deus (que, olhá só, eu não sei mais se existe, e antes eu sabia) pela Nina. Ou pelo cachorro que eu vou ter caso encontre o dono anterior dela.

terça-feira, 8 de maio de 2007

eu tenho uma coisa boa para dizer: parece que eu estou voltando a viver a minha vida de novo. tenho visto meus amigos mais próximos com uma certa freqüência, tenho controlado melhor meus horários, o apartamento finalmente tá com cara de “bagunçado ponto” e não “bagunçado de mudança”. mas foi uma coisa aparentemente besta que fez com que eu me sentisse tão bem...

domingo, contrariando o que eu realmente deveria fazer que era ficar em casa trabalhando, resolvi, uma hora antes do início da sessão, ir ao cinema assisitir labirinto com o guile em um centro cultural em algum lugar. me arrumei correndo e sai feito um rojão. rumamos para a rua emilio carlos, se não me engano, em osasco. após algum tempo perdidos, encontramos a rua. apenas para descobrir que não era aquela emilio carlos. a gente queria, na verdade, a av emilio carlos, lá no bairro do limão. programa micado, o guile topou ir comigo ao supermercado fazer as compras da minha avó. depois, ele me ajudou a subir com tudo (na verdade, subiu com tudo praticamente sozinho), deixamos a cesta básica da empregada na casa dela e eu o deixei em casa. nós conversamos um pouco no carro e depois nos despedimos. eu vim para casa e trampei até 3 da amanhã. descrevendo assim, parece que o dia foi uma bosta e que eu torturei o pobre do guile. mas a real é que o dia foi uma delícia. e foi uma delicia porque eu e o guile fizemos o que sempre fizemos melhor: conversamos por horas a fio. e eu só me dei conta de há quanto tempo a gente não fazia isso e o quanto eu sentia falta depois que aconteceu.

mesma coisa com a fê, umas duas semanas atrás. eu fui assistir my so called life e babar no jared leto na casa dela numa sexta-feira à noite. e como eu tava com saudade de simplesmente fazer isso: sentar na frente da tv com ela e ficar falando e gemendo toda vez que jordan catalano aparecia na tela, só pensando que no dia seguinte ia ter prova de matemática e a gente ainda não tava com um esquema bom para a thuka passar cola pra gente...
eu tava com saudades de casa...

quinta-feira, 8 de março de 2007

Tá, tá, tá. Sim, faz tempo. Muita coisa aconteceu de lá pra cá. Mudei, mudei, casei, mudei. Tô editando quadrinhos, não tô jogando RPG... Ou escrevendo no blog... Ou sei lá...

Claro, tô triste. P q outra razão eu ia postar um texto aqui? Tô com saudades de todo mundo, tô me sentindo fora de todos os meus ambientes... Culpa de ninguém que não eu, sem dúvida, mas ainda assim... Acho que eu tenho amigos muito queridos demais! Deveria ter conhecido menos gente na vida, ter gostado de menos gente. Pq eu não sei ficar perto das pessoas que eu amo. Mas também não sei ficar longe.

Desculpem, eu não queria que o primeiro post em muito tempo fosse assim. Mas eu tô com tanta saudades de todo mundo e de tudo que resolvi escrever aqui só pra transformar em ação e jogar essa saudades no ar. Eu não tenho tido muitas oportunidades de dizer te amo pras pessoas que eu amo (e eu amo várias pessoas, elas sabem disso), então quem ainda não desisitiu disso aqui, saiba: amo vc, viu?

Saudades...

sábado, 5 de agosto de 2006

COISAS QUE EU PRECISO PARAR DE FAZER

1. Achar que todo mundo é igual a mim e, por conseqüência, entende as minhas limitações;
2. Tomar algumas coisas como garantidas e me esquecer que de tudo a que se cuidar;
3. Demonstrar o quanto eu amo as pessoas que eu amo e não esperar que elas simplesmente saibam disso;
4. Crescer com as merdas que eu faço e não voltar a repetir as mesmas besteiras;
5. Achar que o tempo é uma variável e não uma constante.

Claro que eu tinha que estar chateada para ter post. Se não for de necessidade absoluta, eu também deixo esse tipo de coisa pra depois.

Sem dramas, porém. Acho que hoje eu aprendi uma lição bastante valiosa. Só espero que a pessoa que a ministrou tenha a chance de usufruir dos resultados.

quinta-feira, 30 de março de 2006

hauahuahuahauhauhauahau

eu recebi uma CRÍTICA pelo roteiro que escrevi pro zine que publicamos em janeiro. uma crítica nada boa, é verdade, mas tem noção do que é ter alguma coisa sua lida por alguém que se dá ao trabalho de escrever sobre ela? cara, é do caralho!!!

aqui vcs acham a crítica. a história vcs encontram aqui.

me deu mais vontade ainda de escrever, hauahuahauhauhauhauhau.

terça-feira, 28 de março de 2006

em tópicos, muitas coisas, pouco tempo:

1) comprei uma jabuti. o nome dela é sophia, ela está desnutrida mas, fora isso, passa bem. não me perguntem p q um jabuti. eu comprei pra tirar da mão do cara que tava vendendo a pobrezinha no meio da rua sem nem pensar muito no que tava fazendo (eu pensar, que o cara tenho certeza que não pensa nada de porra nenhuma), mas no final foi uma escolha acertada: ela vai durar mais do que eu e agora só tenho que me preocupar com quem vai ficar com ela de herança, já que a média de vida do referido animal bate na casa de 80 anos...

2) doente, muito doente, totalmente doente... gripe demais, por todos os lados. detesto tantos fluidos.

3) a zona no meu quarto diminuiu. atualmente, minha cama é o único espaço impraticável. o que é muito pior do que vcs podem imaginar.

4) infax foi-se pra brasília. como serviço oficial de transporte ao aeroporto do grupo, claro que eu o levei até lá (o aeroporto). e fiquei novamente com aquela cara de pastel sem recheio que eu sempre fico vendo todo mundo ir e vir e só eu ficar. preciso descobrir onde enterraram o meu nome na boca costurada do sapo com a instrução “não permitir que ela conheça mais do mundo”.

sexta-feira, 24 de março de 2006

as coisas estão... estranhas.

saudades dos meus amigos, todos muita, mas... não sei administrar meu tempo, que atualmente é inexistente... uma conversa ou duas que eu estou adiando por não conseguir ir e vir.

saudades de jogar rpg, mas... desde que eu soube que o guile quer transformar minha personagem em vilã da campanha, perdi o tesão total. porque quando o guile quer, o guile faz. eu não sou boa player. não a ponto de sair das situações que ele vai criar, esperando mesmo que eu meta os pés pelas mãos. e, se eu não meter, a situação seguinte vai ser ainda mais terrível. e eu ainda vou me sentir culpada por não ter conseguido... em fim, era pra ser legal, estou em agonia.

um monte de outras saudades. discovery channel de domingo... gostar muito de muita gente é como não gostar de ninguém, sabia? se tudo que vc sabe sentir é excesso de emoções, cadê o mérito de te tirar o fôlego? ainda assim, ninguém entende que nunca é igual...

eu queria tirar férias da minha vida, sumir um ano e pegar tudo nessa época. talvez eu não me sentisse responsável...

quinta-feira, 2 de março de 2006

saudades de coisas que eu não vivi, pura e simplesmenet pq elas estavam acontecendo em outros lugares... e eu descobri essas coisas e lugares hoje...

é... é mesmo possível uma pessoa chegar tarde demais pra se apaixonar por outra...

quarta-feira, 1 de março de 2006

agora é oficial: mulher é mesmo o bicho mais estúpido que deus teve a temeridade de botar nesse planeta, e eu, uma ilustre representante dessa categoria.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

por que quando a gente precisa escrever não sai uma fdp de uma idéia boa da cabeça?

pelo menos posso me gabar de, em pleno carnaval, ainda não ter ouvido um único samba-enredo.

e a vida, essa continua exatamente como antes: uma confusão, que funciona na base da gambiarra. sim. acho que posso me vangloriar de ter feito um "gato": ando puxando energia de algum lugar, só não tenho muita certeza de onde. mas ando com a sensação de que já, já o vizinho pega...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

tá bem, eu me rendo: foi sexista dizer que eu esperava um alto nível de sensibilidade de uma mulher e não de um homem. não é pq eu ando meio desacreditada das capacidades da psique masculina que todo mundo tem que pagar o pato. inclusive pq eu conheço vários homens sensíveis sim. não no nível que eu tenho atribuído ao gabriel, mas ainda assim, sensíveis.

acho que o grande lance com eles é o nível de exposição: não tô falando do quanto eles ficaram conhecidos. isso é besteira. o ponto é que tudo soa muito biográfico, inclusive o que não é, e esse toque de "aconteceu mesmo comigo, acontece todo dia" faz parecer que eles não têm medo mesmo de dizer me apaixonei e me ferrei, sim a vida é uma merda, não, eu acredito que pode dar certo, todas essas coisas das quais os homens normalmente fogem e que as mulheres presam tanto.

metade dos problemas entre homens e mulheres se deve ao fato de que são duas raças quase alienígenas no que diz respeito à compreensão mútua. homens não entendem mulheres e mulheres não entendem homens. os valores e a forma como ambos trabalham o mundo, tanto dos fatos quanto das idéias, são diferentes. sendo assim, acho que o que eu quis dizer é que eles passam a impressão de serem caras com os quais vc pode sentar e falar sobre todas aquelas nóias e sentimentos normalmente creditados às mulheres: eles entenderiam e não diriam "besteira de mina". o que os caras normalmente consideram fraqueza, neles parece força.

vc, moço que reclamou, tem razão. tenho certeza de que os homens podem ser bem mais sensíveis do que aparentam. só acho que eles deveriam parar de não aparentar e ser logo de uma vez.

gostei do texto. só gostaria de saber quem vc é. e quais são as duas palavras...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

carta aberta ao sr. homem sensível, ilustre representante da associação dos homens sensíveis:

devo confessar que não quis soar preconceituosa. se foi o que pareceu, peço sinceras e humildes desculpas. concordo que vcs homens podem sim escrever textos profundos e sultis. já sensíveis, sinto muito, mas acho muuuuuuuuuuito difícil. por outro lado, eu não espero mesmo muita sensibilidade de homem nenhum, por isso me espanto quando encontro um. vai ver o problema é meu, mas como o blog também, é pra escrever sobre o que eu penso que ele serve, certo?

agora, vamos combinar que nem vc acredita nessa de "sempre discutem a relação", vá? homem que discute a relação é mais dificil de achar que malufista confesso hoje em dia.

agradecemos a visita e a manifestação. volte sempre!!!
tem um monte de coisas que eu detesto na vida. um monte! acho que tem mais coisas que eu não gosto no mundo do que coisas que eu gosto, atualmente. mas um dos primeiros lugares no topo dessa lista imensa é gente mesquinha e invejosa.

a vida de tradutora anda muito cansativa. sei que todo trabalho cansa, mas eu não amo fazer tradução. acho legal, dá um dinheiro (não muito), paga as contas, a ladainha que todo mundo conhece. mas eu tava buscando uma saída, e encontrei: quadrinhos.

eu não desenho. na real, mal escrevo, a não ser neste blog. falta de tempo de produzir textos meus, excesso de vontade de ler o que os outros produzem. mas o fato é que eu decidi me atolar em quadrinhos, pretendo fazer pós nessa área, seguir carreira acadêmica, sei lá. alguma coisa eu vou fazer com isso. mas eu preciso fazer alguma coisa da qual eu goste.

pois bem: essa incursão rendeu um curso, que rendeu uma revista, que rendeu um grupo, que rendeu horas a menos de sono que eu passo traduzindo pra compensar o tempo que eu gasto em reuniões, em discussões, em produção de roteiros, blá, blá, blá. rendeu um monte de novos amigos, um monte de coisas legais, um monte de histórias novas. e eu amo histórias.

uma das coisas que eu conheci nessa entrada no mercado foi o trabalho do fábio moon e do gabriel bá, acho que os nomes que mais têm se destacado no mercado nacional no momento. meritório, diga-se de passagem e na minha humilde opinião, pq o que mais me chama a atenção no trabalho deles não é a arte, como muita hq por aí: é o texto. eu nunca pensei que dois homens pudessem escrever como eles escrevem. se isso não ficasse patente nas histórias que eles publicam, seria perceptível no blog. no caso, me impressiona mesmo a sensibilidade do gabriel, que aparentemente é quem mais posta. os posts do fábio são bastante práticos, falam de como mudar o cabelo do desenho pra obter uma menina ao invés de uma mulher, por exemplo. o gabriel descreve processos, conta histórias, bota uns sapos pra fora. confesso: curti pacas. é bem o que eu gosto de ler. achei apaixonante. compraria, se já não comprasse os álbuns que eles publicam. no blog, o que se vê é que o fabio descreve; já o gabriel narra, discorre, desenvolve. posso estar sendo injusta com o moon, já que nunca dá pra saber muito quem faz o q nas hqs, mas eu definitivamente gosto muito das coisas que o bá escreve. tudo muito intimista. senta no sofá, vou te contar o que me aconteceu, o que eu penso, o que eu sinto. eu gosto disso. e eu gosto do traço deles, mas desse aspecto do trabalho falo com bem menos propriedade, pq o mais perto que eu chego de entender alguma coisa de desenho é bordar em ponto-cruz.

um amigo me emprestou o crítica e me disse que se eu não gostasse era pq ele não me conhecia tão bem como achava. pois conhecia: eu amei. o fato de parecer muito biográfico me agradou, que o que eu faço aqui todo dia é falar da minha vida, ora pois. a forma como eles tratam temas cotidianos, o realismo fantástico, as piadinhas sobre meninos e meninas... nada realmente novo, mas tudo muito... não sei dizer. eu esperaria um trabalho assim de uma mulher, acho. a impressão que dá é que eles são homens que discutiriam a relação, e toda mulher sabe que isso é dificílimo de achar. tão difícil quanto uma menina que realmente goste de quadrinhos.

pois bem: os caras batalharam aí, correram atrás, foram, fizeram, aconteceram, e acabaram virando meio que hit. hit underground, que quadrinho não é nada que seja assim, novela das oito, mas eles tão produzindo pra fora, tão trampando feito condenados, não devem estar ganhando muito dinheiro, a mesma ladainha lá de cima. mas é impressionante como alguém se dar remotamente bem em alguma coisa sempre atiça a inveja alheia.

lendo o blog deles, encontrei comentários absolutamente cretinos sobre como tem gente que faz mais, melhor, de maneira mais difícil, sem conhecer tanta gente certa no lugar certo, com menos dinheiro... um monte de imbecilidade. sei zero da vida dos caras. não sei se eles têm ou não grana, se têm ou não amigos influentes. e acho isso o de menos. se têm, que bom pra eles, que souberam aproveitar.

lógico que deve ter gente que desenha melhor. deve ter gente que escreve melhor também. acho que tem desconhecido por aí que escreve melhor que o saramago e nunca publicou nada. deve ter mulher mais bonita que a angelina jolie, cara mais gostoso que o jared leto. o mundo é muito grande pra não ter ninguém que faça melhor qualquer coisa que vc lembre de citar. isso não diminui em nada o trabalho deles ou a beleza da angelina. acho até que sublima. pq, mesmo sem serem os melhores do universo, eles estão fazendo.

esse papo de se vender pro mercado internacional também é de uma estupidez que me impressiona. pq trabalho intelectual é obrigado a ficar restrito e ser mal pago, pouco visto? que papinho de frustrado. tem gente que tem sorte de nascer no lugar certo, legal. eu, se pudesse escolher, teria nascido com mais grana, mais 13 cm e menos quadril. tem mais que correr atrás de se fazer lá mesmo, inclusive pra poder se fazer aqui. essa de “eu conheço gente melhor” é conversa de menino birrento de 15 anos de idade que tá se pelando de raiva pq o vizinho ta catando a mina que nunca nem olhou pra cara dele. talvez, se ele pensasse mais no seu rabo e menos no alheio, a vida andasse pra ele também e ele não fosse obrigado a ficar de espectador das conquistas dos outros.

sim, como diz o guile, eu defendo até quem não precisa, pq a verdade é que o mercado e o público têm se encarregado de mostrar a que vieram os moços. pq tem gente besta o suficiente no mundo pra deixar de curtir 10 pãezinhos já agora sai em álbum por editora e não em impressão bancada do bolso dos autores. ah, me economiza, vai?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

acabei de chegar do show do u2. tô podre. só entrei pra dizer que foi foda. não foi como eu esperava, mas acho que foi como deveria ter sido.

na vida não tem save point, né? merda! começar o jogo de novo, então, fazer o q?

e franz ferdinand é do caralho!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

perdi meu celular sexta. perder não é bem o termo: eu larguei no bar e alguém pegou. consegui cancelar o aparelho e o chip, e já transferi a linha e os créditos pro aparelho novo e super moderno que eu comprei. só não consegui transferir o pedacinho da história da minha vida que ficou naquele aparelho.

aquele aparelho, um gradientezinho bem safado, diga-se de passagem, tinha caído do meu bolso da moto quando eu e o thi ainda namorávamos. sobreviveu à queda e ao atropelamento que se sucedeu. só queimou o chip. foi minha última troca de número de cel.

a caixa de mensagens estava cheia de algumas das coisas mais legais que me escreveram. algumas das coisas que eu mais gostei de receber. através delas, eu conseguia estabelecer no tempo e no espaço quando eventos que me importam aconteceram, quando coisas que me deixaram feliz foram ditas, o quanto tudo já foi... bom, já foi o que não é. a mensaggem de natal, a de um mês, a do dia do lançamento do livro, a do dia seguinte à casa do fábio, a história sobre a vida, o amor e a liberdade... coisas que me lembravam o que tinha me acontecido de melhor nos últimos seis meses...

na real, eu tenho sido obrigada a deixar tanta coisa pra trás nos últimos tempos que essa do celular foi só mais uma. e eu tô chorando há dois dias por isso. pq eu tô exausta. há meses as coisas fugiram do meu controle sob todos os aspectos e eu simplesmente não consigo mais colocá-las no lugar. nem as pessoas, nem os eventos, nem meus sentimentos... só sei que tudo tem caminhado pra lados opostos aos que eu gostaria.

ontem conversei com o thiago. depois de 4 meses. verbalizar tudo que eu já sabia doeu. acabou, eu já sabia que tinha acabado, eu nem aventava mais a hipótese de voltarmos, mas... mas constatar por a + b que a gente se machucou pacas, tanto ele a mim quanto eu a ele, doeu. machucou tanto que excluímos as possibilidades todas, por falta de tato, de saber o que fazer quando fazer.

o moço infelizmente também não está sendo (foi?) diferente. tudo tão mágico, parecia tão certo. ainda parece, não sei. só não é como eu gostaria, como eu até precisava. por outro lado, como eu poderia me envolver com alguém tão profundamente tão depressa? e se eu escolhi algo assim justamente pq eu simplesmente não posso arcar com um relacionamento mesmo, pq... bom, pq até seis meses atrás minha vida era outra.

sim, eu me dispus a mudá-la completamente. e quando eu vi, tava sozinha nessa. só eu dei a cara a tapa e considerei mudar tudo, cada centímetro. e acho que vou ter que fazer isso de novo. só que... só que eu tô cansada. muito.

graças a deus pelos quadrinhos que eu tenho pra ler, os zines que eu tenho que produzir, a revista que eu tenho que lançar, as traduções que eu tenho que fazer, todo o tempo do mundo que eu ocupo sendo a pessoa que tem que funcionar no mundo e que, de outra forma, eu não conseguiria ser. pq hoje dói, tem sido assim faz um tempo e eu não tô com olhos pra enxergar a saída.

tudas essas reflexões por causa de um celular que ficou numa mesa de um bar que já nem é mais o mesmo, segundo me disseram... cada coisa que faz a gente pensar na vida. o lado bom: não é a primeira vez e não vai ser a última que eu começo de novo, e sempre do zero. e em exatos 12 dias meu inferno astral acaba, se eu acreditasse nessa porcaria.

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coisas legais, pq toda vida tem delas também:

1) entrega do angelo agostini. agora que eu decidi mesmo que, por bem ou por mal, essa vai ser a minha especialização e tô me atolando de coisas pra fazer na área, eu realmente preciso começar a frequentar esses eventos. cadú quase teve uma parada cardáca no palco pra falar do zine dele. foi engraçado de ver. de quebra, conheci o gabriel bá. estaranh ver pessoalmente pessoas que a gente só conhece por desenhos.

2) aniversário da carol: foi muito legal, tirando a perda do celular. ela é uma menina muito meiga, que realmente merece tudo de bom. gente do bem. adoro gente do bem.

3) consegui cancelar o aparelho de cel também, não só transferir meu chip. espero que o puto que bateu meu telefone na minha cara três vezes passe muita, muita raiva com um aparelho travado. e bata de cara num poste tentando fazê-lo funcionar. e descarte logo o pedaço da minha vida que ficou com ele, pq me injuria de maneira absurda que uma coisa que me signifique algo esteja na mão de alguém de índole indicutivelmente duvidosa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

a capacidade de adaptação do ser humano é incrível. a gente se acostuma com o governo bush, com dor de dente, com chifre, com abandono, com a era glacial... bicho mais difícil de varrer da terra não há. só tem uma coisa com a qual a gente não se acostuma de forma alguma: a morte.

ok, eu entendo perfeitamente. A idéia de nunca mais pra quem não acredita em outro lado ou a idéia de só daqui muito tempo pra quem acredita é terrível. tem gente que mal lida com a idéia de ver quem ama uma vez por semana, que há de se dizer do fato de não ter nem esperança de topar com a pessoa sem querer na rua? assim, eu realmente acho absolutamente compreensível que a morte seja um evento não só traumático, mas também que tenha criado em torno de si toda uma ritualística de despedida. mas juro que ainda não saquei pra que servem os velórios.

tem uma lenda que diz que velório é a oportunidade que amigos e parentes têm para se despedir de um ente querido. eu, particularmente, considero os velórios uma das coisas mais cruéis e sem sentido que há. vá lá que no tempo do onça as pessoas eram veladas pra se ter certeza absoluta de que tinham morrido e não estavam tendo na verdade um ataque de catalepsia. assim, os velórios tinham uma utilidade prática, e utilidade prática é praticamente a única coisa que justifica uma coisa desse tipo.

nunca gostei de velórios. detesto aquele cheiro, aquele clima, aquele monte de flores, as pessoas perguntando “tudo bem?” no automático, a disputa de quem sofre mais (o ser humano é asqueroso mesmo, sempre tem uma disputa para ver quem sofre mais, pode reparar). mas o que eu mais detesto é ver as pessoas que amavam aquele pai, filho, irmão ou amigo ficarem ali, presas àquele ambiente, morrendo de medo da hora em que vão fechar o caixão e elas nunca mais vão ver aquele rosto querido. e percebe que, a menos que proíbam os velórios por lei, quem é que vai resistir a esse apelo? Passar a mão na testa da filha uma última vez, mesmo gelada? Beijar a mão do avô? O lábio do marido?

bem fez o meu tio, depois de 30 anos de casamento e 20 de luta contra um câncer terrível que acabou por levar mesmo a minha tia: ficou longe, sentado em uma lanchonete do lado de fora do cemitério, e nem acompanhou a procissão. afinal, como é que a gente diz adeus pra alguém que não queria ver indo embora nunca?

agora me diz, faz algum sentido uma coisa dessas?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

esboço de um poema que eu acho que vinga:

sei quando quero alguém.
todas as noites são pouco para tantos sonhos e
todos os dias não comportam tantos pensamentos.
porque tua alma freqüenta minhas madrugadas
enquanto minha imagem preenche seus devaneios.

sei quando deixei de ser.
você fugiu dos meus sonhos e esquiva-se (ainda) da rotina
que eu, sempre ingênua, acreditei que existiria
pelos próximos... quantos anos eram mesmo?


vamos trabalhar mais um pouco nele. quem sabe o final ainda seja melhor...

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resolução nova: só escrever em minúsculas. tô ficando cheia de manias...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Nó na garganta de mágoa profunda por uma série de motivos, abaixo enumerados:

a) Presa em casa muito tempo de tanto trabalhar, tive que sair pra ir ajudar meu avô no museu no único dia em que não podia: o dia da venda dos ingressos do U2 pelo telefone. Quando eu cheguei, sem condições de conseguir comprar. Acabou tudo ontem e eu não vou, bem simples.

b) Meu amigos vão, pq a única pessoa que conseguiu comprar também é uma das únicas pessoas com quem eu parei de falar na vida, de um total de três. Ainda assim, me senti muito, muito, muito excluída. Como se os meus amigos, que me cobram sempre atenção e dizem que eu sumo e uso desculpas diversas pra fazer coisas outras que não sair com eles, na hora do vamos ver, não estavam nem aí. e ainda ter certeza que vão dizer que se eu não sumisse era capaz de não ter sido assim. Mágico, enfim.

c) Nem tanto pelo show do U2, que eu já assisti uma vez e, na boa, ia me dar crise de choro por causa do Thiago, situação pela qual eu não fazia mesmo questão nenhuma de passar. Mas eu queria muito ver o show do Franz Ferdinand. Aí, fui ver se dava pra ver o show no Rio, mas o show extra de lá tá esgotado também.

Só posso agradecer pelo contingente de amigos que eu tenho que não ia nesse show desde o princípio e pelo fato de que eu posso jogar toda a culpa dessa merda no meu inferno astral.

A primeira decisão que eu tomei no meio disso tudo foi não comemorar porra de aniversário nenhum. Não me lembro de ter muito de legal pra dividir com ninguém, e não acho que essa situação vai se reverter até o dia 4 de março.

A segunda foi não me preocupar se uma superbactéria matar todo mundo no mundo todo. Eu vou é aprender a pilotar um barco e ficar mostrando o dedo pro vazio do alto da Torre Eiffel. E antes que digam que ficar sozinha vai ser ruim, desculpa, mas não há nada que os homens façam que não possa ser substituído por meios mecânicos. Ou até tem, mas o custo-benefício é alto pacas mesmo, não vou ligar de empregar menos recursos pra ter um produto final muito semelhante ao original.

A terceira é que eu juro que se alguém mais me acusar de falta de consideração um dia na vida, apanha.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

HAUAHUAHAUHAUHAUAHUHUAU

Ten Top Trivia Tips about Roberta!

  1. There is no lead in a lead pencil - it is simply a stick of graphite mixed with Roberta and water!
  2. Roberta will become gaseous if her temperature rises above -42°C.
  3. Pound for pound, hamburgers cost more than Roberta!
  4. In 1982 Time Magazine named Roberta its 'Man of the Year'!
  5. Roberta is only six percent water.
  6. The Asteroid Belt between Mars and Jupiter is made entirely of Roberta.
  7. Roberta will often glow under UV light.
  8. Roberta is physically incapable of sticking her tongue out.
  9. Three seagulls flying overhead are a warning that Roberta is near.
  10. It takes a lobster approximately 7 years to grow to be Roberta.
http://thesurrealist.co.uk/trivia.pl" method="get" style="background-color:#5F5F42;color:#CFCF95;padding:4px;text-align:center">I am interested in - do tell me about


ESSA É ÓTIMA!!!