Roma, 05 de fevereiro de 2010.
Tenho dois dias para descrever, e ambos foram incríveis!!!
04.02
Fomos ao Vaticano. Para isso, foi preciso tomar metrô. Nada terrível, super simples. O trem é novinho, mas as estações são meio podreira.
O museu do Vaticano é simplesmente incrível: tem um monte de mini museus dentro dele: um museu de arte egípcia (com múmias e sarcófagos e tudo que se tem direito, apesar de não muito grande), um museu de arte etrusca (que estava fechado), um museu de selos e moedas (que não fomos), uma série de salas pintadas por ninguém menos que o digníssimo Rafael (que são de cair o queixo), uma grande coleção de esculturas greco-romanas (com todos os deuses e heróis mitológicos que se possa imaginar) e, é claro, a cereja do bolo, a Capela Sistina.
Aqui cabe um comentário: apesar de simplesmente impressionante, preciso dizer que a Apple não teria vendido nem um pen drive na renascença. O teto, as paredes, tudo na capela é over. Um excesso de imagens de dar dor de cabeça. Impressão que pensaram “Num deixa sobrar nem um pedacinho de reboco descoberto, ok?” De qualquer modo, dá vontade de chorar: um pouco de dor no pescoço e vertigem e outro tanto por saber quem fez, o que representa e, claro, pela perfeição da coisa como um todo. Gostei muito também das salas de mapas, com mapas belíssimos e super lúdicos das diversas regiões da Itália. Me senti olhando para a Terra Média, rs!
A parada para o Cappucino obrigatório, umas das grandes obras de arte da Itália, também foi divertida. O motorista de um caminhão nos ouviu falando português e puxou conversa em um português quase perfeito. Disse que nossa terra era linda, que português era legal, que o carnaval é o que há, lá, blá, blá. Ainda preciso encontrar os italianos mal educados sobre os quais fui avisada, pq até agora o povo só faltou nos pegar no colo e dar comida na boca.
Do museu, seguimos para a basílica de São Pedro. Aqui, tenho que registrar que a roupa da guarda papal parece ser inspirada nas roupas usadas pelos bobos de corte dos filmes mundo a fora: é simplesmente ridícula. A primeira parada foi a necrópole em que os papas são enterrados. À parte o fato de ser impressionante ver os sarcófagos de Papas de 1200, 1300 e, claro, o mausoléu de Pedro, o 1º de todos, a real é que o que mais me emocionou foi ver o túmulo do João Paulo II. Eu e a Sá choramos feito crianças, nem me pergunte o motivo. Foi absolutamente inesperado e involuntário, mas me desmanchei. Solucei mesmo. Ele era um fofo.
A Basílica em si é gigante, cheia de estátuas e monumentos funerários de mais tantos outros Papas. Lá em cima fica a Pietá, a escultura mais perfeita de que já tive notícias. Ela é simplesmente linda. O sofrimento naquela face de pedra é simplesmente arrebatador. De maravilhar mesmo.
Outras curiosidades sobre a Basílica:
1. Muitos túmulos de papas estão lá em cima. Parece que rola uma predileção por deixar os papas de nome Gregório lá perto do público, sentindo o clima. Só achei um pouco de mal gosto o fato de que há duas múmias de papas expostas lá. Vc olha e acha que é uma estátua, depois se da conta que se fosse estátua num estaria vestido com sapatos, depois dá um mal estar e tals. Meu irmão adorou!
2. Tem uma estátua de Pedro bastante famosa na qual todo mundo passa a mão nos pés. Tanto que os pés em questão estão gastos.
3. Há uma ala na qual vc só pode entrar se for se confessar, caso contrário, não pode entrar. Fiquei pensando se eles têm padres que falam diversos idiomas para poder atender a um público tão diverso.
Nós chegamos lá perto do fim da tarde, então conseguimos assistir à missa das 17:00. Muito foda ver a missa na Sede das igrejas de todo o mundo. Eu não me fiz de rogada e comunguei na Basílica de São Pedro, o que num é nenhum fim do mundo do ponto de vista espiritual, já que eu fiz crisma e comunhão. Faltou me confessar, mas num ia dar tempo de comungar se eu fosse contar para um padre que nem ia me entender tudo que eu pequei nos últimos 16 anos...
Foi um passeio muito, muito, muito gostoso. Para completar, a rua que leva até o metrô parecer ser tipo a rua do Brás de Roma: um monte de roupas lindas, mais baratas que em SP. Se der tempo, voltamos lá for shopping spree...
Jantar básico no Mac. Só para fazer valer, pedi um Mac Italy. Gosto de sanduíche de Mac!
Roma, 05.02
Hoje fomos visitar as Catacumbas. Aqui, cabe dizer que ninguém quase sabe das catacumbas de Roma, uma das coisas que eu mais queria ver nessa viagem. Por ficar fora do centro, que já tem sítios arqueológicos o suficiente para programar 3 viagens, as catacumbas de Roma são meio que ignoradas, o que é uma pecado.
Como já estamos em casa, fomos de metrô e bus. Claro, sempre rola um mico de perguntar para as pessoas que bus tomar e depois não entender o que elas respondem, o que na verdade me impressiona: eu falo fluentemente 2 idiomas (inglês e português) e o básico de mais dois (francês e espanhol). Desses 4, 3 são neolatinos, como o italiano, mas simplesmente é complexo entender o pessoal daqui. Ainda assim, estamos comprovando que quem tem boca vai a toda a Roma, pq num deixamos de ir a nenhum lugar que quisemos até agora.
Roma tem cerca de 53 catacumbas, das quais 5 estão abertas para visitação. Todas ficam fora de Roma, pq na antiguidade não de podia enterrar as pessoas dentro dos muros da cidade. 3 dessas catacumbas ficam no que eles chamam de Via Appia Antica, a principal estrada da Roma antiga.
A Via Appia é simplesmente encantadora. Cheia de ruínas ao longo do caminho, além de propriedades privadas imensas e maravilhosas. Foi só hoje que eu entendi o que significa ser milionário e comprar uma vila na Itália. Inveja de fazer cair raio na cabeça, pq a paisagem é deslumbrante.
Nossa primeira parada foi no mausoléu de Cecília Metella, esposa e filha de um banqueiro muito rico, contemporâneos de César e Pompeu, no final da República. O mais legal foi entrar para visitar e um senhor italiano, funcionário do departamento de arqueologia de Roma, puxar papo com a gente e começar a explicar do que se tratava o monumento. Detalhe: em italiano. O que deu pra entender:
A tal Cecília era riquíssima. A família, super importante. O marido era tipo um empreiteiro e banqueiro perto da época do final da república, antes de César ser coroado imperador. O castelo em que vivia e que era onde estávamos, tinha sido enorme e cortava a via Appia em duas, e se cobrava um pedágio para passar por ali. Quando ela morreu, a torre do mausoléu foi construída e o corpo foi enterrado ali. Aparentemente, a construção era um tipo de pirâmide, cheia de câmaras secretas cheias de tesouros. E como as pirâmides, foi totalmente saqueada. Hoje, sobraram a torre do mausoléu e algumas salas, além da igreja do castelo, que fica do outro lado da Via Appia. Ele também explicou que Espartaco era um príncipe trácio que foi feito escravo e colocado para lutar como gladiador, que ele juntou um exercito de 22 mil homens, aterrorizou o império por um tempo e que, quando foi capturado, ele e seus homens foram crucificados ao longo da via Appia. Mais de 400 cruzes com homens pregados, cobrindo uma distância enorme. Apesar de interessante, num saquei o que o Espártaco e a Cecília tinham que ver um com o outro.
Também visitamos a Villa de Massenzio, que se não me engano foi à residência de algum imperador. Além do castelo, o complexo tinha seu próprio circus, aquele espaço gigante para prática de atletismo e corrida de bigas e tals. O lugar é LINDO!!!
Finalmente, chegaram as catacumbas. A primeira que visitamos foi a de São Sebastião, na qual estão enterrados os restos mortais do santo em questão. Visitas guiadas, lugar claustrofóbico e simplesmente de cair o queixo. São quilômetros e quilômetros de túneis escavados pelos cristãos que só se enterravam lá, não ficavam se reunindo no local não. Segundo os guias, isso é mito. Depois de conhecer o lugar, tive que acreditar: se com luz elétrica o pico é pequeno e escuro, imagina com lamparina a óleo.
O curioso é que diz a lenda que lá estão corpo de S. Sebastião, além de um pedaço da coluna na qual ele foi amarrado e uma das flechas que não o matou (ele era um militar que foi sentenciado a morte por flechadas quando se descobriu que era cristão. A tradição cristã conta que ele não morreu das flechas. Porém, quando se descobriu que estava vivo, o coitado foi espancado até a morte), além de um par de pegadas de Cristo, que já estava morto quando deixou as dita cujas em outra igreja (conhecida como Quo Vadis) que fica 2 km mais pra frente da de SS, mas que aparentemente foi assaltada pela amiga.
De lá, seguimos para as Catacumbas de Domitilla, uma escrava de uma das descendentes dos flavianos (a família que construiu o Coliseu) que recebeu aquelas terras de sua senhora e que as doou para os cristãos (detalhe importante: só se podia construir catacumbas em terreno particular). E chegar nessa catacumba, ao dia inteiro passou a valer a pena!
Ao chegar, roteiro básico de comprar ingresso, esperar a visita guiada em inglês e tal. Só que o responsável por essas catacumbas é um padre paraense extremamente simpático, que nos levou fazer um tour praticamente particular, por áreas que inclusive são fechadas aos acessos dos grupos em geral!!! Tivemos toda a narração e explicação em português e ele, no cúmulo da simpatia, bateu duas fotos nossas lá em baixo, onde inclusive é proibido, em um corredor que ele, como responsável pelo lugar, sabe que não tem câmera de vigilância!!! Foi MUITO, MUITO, MUITO legal! Na saída, pegamos cartões, sites, folhetos para distribuir em SP e deixar no nosso hotel, além de umas lembrancinhas básicas. Saímos de lá com a certeza de que vai ser difícil qualquer parte da viagem ser mais foda do que o trecho de Roma. Ta tudo dando muito muito certo.
De lá, tentamos seguir para a Basílica de São Paolo. Nos confundimos sobremaneira com que lado tomar o bus na avenida principal e, em outro momento “Troféu Italiano Mais Simpático do Dia”, uma senhorinha que notou que estávamos perdidos só faltou fazer mímica para nos ajudar a nos achar. Agradecemos e seguimos para o ponto que ela indicou. No cúmulo da boa vontade, quando ela viu o bus que a gente tinha que pegar passando do outro lado, ela correu para nos avisar que outro bus daquele só passaria dali uma hora. Uma FOFA! O ponto é que nisso já eram cinco da tarde e num ia dar tempo de ir a basílica, então voltamos para o hotel, tomamos banho e fomos jantar no Alessio, o restaurante em frente ao hotel no qual já tínhamos comido no primeiro dia. No momento, somos os clientes favoritos do Mauricio, o dono do lugar, que inclusive vai para o Rio em julho e que pretendemos receber no Brasil.
O resumo total disso tudo é que eu, que sempre quis ir para Paris, to com dor no coração de ir embora para a Cite Lumiere depois de amanhã. Não quero sair de Roma nunca mais. Romanos mal educados, uni-vos. Expulsem-me daqui, por favor. Caso contrário, num sei se vou embora não.